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I Like This | Uma nova vida na Fábrica de Loiça de Sacavém
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Uma nova vida na Fábrica de Loiça de Sacavém

Uma nova vida na Fábrica de Loiça de Sacavém

Chegou a ser uma das principais fábricas do país. Empregou centenas de pessoas e foi testemunho da inovação tecnológica, de transformações na sociedade e de lutas sindicais. A antiga Fábrica de Loiça de Sacavém é, hoje em dia, o Museu de Cerâmica de Sacavém, espaço de divulgação e preservação de um património industrial com mais de 150 anos.

O regresso ao passado começa no velho Forno 18. Este é o coração do Museu de Cerâmica de Sacavém, aberto ao público desde 7 de julho de 2000. O Forno 18, um magnífico exemplar da arquitetura de fornos-garrafa que marcaram a paisagem da revolução industrial inglesa, foi construído no segundo quartel do século XX, de acordo com os métodos tradicionais, pelos operários da antiga fábrica com a tecnologia que conheciam e as matérias-primas que tinham à mão. Num bom estado de conservação, este forno é o principal elemento de conexão com a fábrica que, em tempos, ocupou o lugar do atual museu.

A Fábrica de Loiça de Sacavém foi fundada entre 1856 e1858 por Manuel Joaquim Afonso, um industrial vidreiro da Marinha Grande. Pelas mãos de sucessivos proprietários ingleses, nomeadamente os irmãos William e John Howorth, James Gilman e Herbert Gilbert, a Fábrica de Loiça de Sacavém afirmou-se como uma das produtoras de faiança fina mais reconhecidas em Portugal e na Europa entre os séculos XIX e XX, graças à sua pasta baseada no feldspato e no caulino, que lhe conferiam um elevado grau de pureza. Sendo uma das principais unidades fabris da cintura industrial da zona oriental de Lisboa, conduziu ao aumento da população de Sacavém. Em 1890, grande parte dos habitantes da povoação trabalhavam na Fábrica de Loiça. Desta forma, a importância da fábrica foi muito além do aspeto económico. À semelhança de outras grandes empresas, serviu de estandarte à organização fabril salazarista, foi palco de várias lutas sindicais e foi pioneira em medidas que revelam as primeiras preocupações sociais da parte do patronato, como a criação de uma escola na fábrica, o direito a férias remuneradas e a instituição de campos de férias para os filhos dos trabalhadores. A história da fábrica terminou em 1994, quando foi declarada falida.

Com a falência, a Câmara Municipal de Loures definiu, em novembro de 1995, a preservação e valorização de um núcleo de património da antiga fábrica. No local onde antes se erguera nasceu uma urbanização e em torno do velho Forno 18 foi criado o Museu de Cerâmica de Sacavém. Este é um “espaço de valorização, salvaguarda e divulgação do legado das Fábricas de Loures, em ligação ao processo de industrialização do concelho; um espaço de afirmação do discurso do património industrial e do primado da pessoa, onde o material e o imaterial se fundem na abordagem da história local”, explica a Câmara Municipal em comunicado.

No piso 0 do Museu de Cerâmica está patente a exposição “Para uma história da Faiança em Portugal – A Fábrica de Loiça de Sacavém” com peças produzidas na antiga fábrica, nomeadamente loiça doméstica, loiça decorativa, loiça de higiene/sanitária e cerâmica de revestimento, materiais e utensílios utilizados na fabricação, como por exemplo, materiais de experimentação e de laboratório, pigmentos originais e instrumentos de trabalho. As cerca de 9000 peças do acervo abrangem um período histórico desde a fundação até à década de 90 do século XX.

Além das salas de exposições, o Museu de Cerâmica inclui o Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso, um espaço de Reservas, oficinas de dinamização, um auditório batizado com o nome de um operário e lutador antifascista, António Ferreira, e uma loja. Da atividade do museu constam ainda várias iniciativas mensais, como a Peça do Mês, mostras documentais, percursos pelo património, À Conversa com… e a Mercearia Santana, um projeto de reabilitação e valorização cultural de um antigo espaço de comércio tradicional de Sacavém.

Ao longo dos 17 anos de história deste museu são várias as exposições temporárias realizadas, com destaque para “Mulheres na Fábrica de Loiça de Sacavém”, em 2001, “O Desporto Corporativo nas fábricas”, em 2004, “150 anos –150 peças”, que esteve patente em 2005, e também uma exposição sobre os móveis Olaio, em 2015. Destacase ainda a exposição temporária atualmente acessível na sala de exposições do piso 1, intitulada “Higiene e saúde em Loures à época de António Carvalho de Figueiredo. Quotidianos públicos e privados entre 1886 e 1938”. Esta exposição visa evocar a memória do ilustre médico lourense e estará patente até 27 de abril de 2018.

Em 2002, o Museu de Cerâmica de Sacavém foi galardoado com o Prémio Luigi Micheletti de Melhor Museu Europeu do Ano, na categoria de Património Industrial, atribuído pelo EMYA – European Museum Year Award. Em 2006, a Câmara Municipal de Loures instituiu o Prémio Bienal Manuel Joaquim Afonso que, através do Museu de Cerâmica, distingue trabalhos na área de produção cerâmica.

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