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I Like This | “Superarmo-nos é um bom objetivo e não tem que ver com ambição”
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“Superarmo-nos é um bom objetivo e não tem que ver com ambição”

“Superarmo-nos é um bom objetivo e não tem que ver com ambição”

O nome Daniel Gonçalves pode não lhe dizer nada à primeira leitura, mas este poeta e professor já tem o seu nome gravado na Literatura. Nascido na Suíça, fixou-se em Santo Tirso mas a vida de professor acabou por levá-lo até à ilha de Santa Maria, nos Açores, onde, vive atualmente. No seu currículo como poeta, Daniel soma mais de uma dezena de obras e tantas outras distinções nacionais e internacionais. Apesar do sucesso, o autor não esquece as suas origens e encontra nas filhas o maior foco de felicidade.

Nasceu em Wetzikon, em Zurique, a 20 de abril de 1975 e veio para Portugal com apenas oito anos de idade. Do que se recorda desses anos vividos na Suíça?
Lembro-me de ser criança e de ser feliz, com a minha irmã, sobretudo. Sinto falta da neve e lembro-me de ela ter cheiro, apesar de não ser verdade.

Considera que as suas origens têm influência na pessoa que se tornou?
As origens têm influência através da memória que é sempre uma construção idealizada do passado. O que mais me/ nos influencia ainda é o meio, e o anseio do futuro.

Conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional de Poesia do Centro Internazionale Amici Scuola (CIAS) promovido pela UNESCO com apenas 17 anos. O que o levou por este caminho da literatura? Recorda-se do que sentiu no momento da conquista desse prémio?
Adorava receber prémios. Tinha que ver com vaidade e orgulho. Agora não. Concorro na mesma, vou ganhando alguns, mas creio que a poesia não precisa de outro incentivo que o da expressão, da partilha e da criação artística.

Ao longo dos últimos 25 anos continua a somar prémios e distinções. O que sente quando a sua obra é premiada? Qual a distinção que mais o marcou?
Gostei de ser destacado no evento Poesia Livre, em Santo Tirso. Marcou-me profundamente porque estiveram envolvidos amigos muito importantes para mim. Foi uma recompensa por nunca ter renunciado às minhas raízes mais profundas, que são tirsenses, apesar de salgadas agora, neste Atlântico.

Quais os fatores que contribuíram para o seu sucesso profissional?
O meu sucesso profissional tem que ver com ser professor… por isso destacaria a vontade em ser melhor, todos os dias. E isto serve para tudo, para poeta, para presidente de junta, enfim. Superarmo-nos é um bom objetivo e não tem que ver com ambição. É pelos outros, também, que nada se faz sozinho.

Vive na ilha de Santa Maria, nos Açores, há cerca de 19 anos. O que esteve na origem dessa mudança, depois de se ter fixado em Santo Tirso quando regressou da Suíça?
Ser professor obriga a uma deslocação constante. No meu caso foi uma longa viagem que perdurou. E nunca me fixei noutro lado a não ser neste. É o melhor lugar do mundo para se viver uma vida. Se tivéssemos direito a mais vidas, talvez desperdiçasse uma ou outra noutro lugar, de outra forma, não. Aqui somos mais.

O Daniel é professor, poeta e presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara. De que forma concilia todas estas áreas? O que é que cada uma delas acrescenta à sua vida e à sua personalidade?
Tento fazer tudo a cem por cento. Não é fácil, mas havendo amor todas elas se juntam num só caminho.

Sendo uma pessoa tão ocupada, sobra tempo para outras atividades? O que gosta de fazer nos tempos livres?
A poesia é o meu tempo livre.

Qual o melhor livro que já leu?
Talvez o Memorial do Convento. E as Metamorfoses de Ovídio: obrigatório.

Como é que se autodefine?
Sou imperfeito, mas esforço-me. Escondo mais do que mostro. Se não fossem as minhas filhas era uma rocha.

Qual o seu lema de vida?
Só se vive uma vez.

O que é que o faz mais feliz?
As minhas filhas lembrarem-se de mim, mesmo se estou ao pé delas, mais do que longe.

Qual foi a melhor coisa que disseram sobre si?
Que tinha de mudar isto ou aquilo. As críticas sempre me interessaram porque elas ajudaram-me a ser melhor.

Como gostaria de ser recordado daqui a 100 anos?
Acho que não gostaria de ser recordado, mas de ser lido.

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