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Ilikethis | Região Centro: “Queremos preservar e modernizar Fátima”
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Região Centro: “Queremos preservar e modernizar Fátima”

Região Centro: “Queremos preservar e modernizar Fátima”

No ano em que se comemora o centenário das Aparições de Fátima, Paulo Fonseca, presidente da Câmara Municipal de Ourém, revela quais os projetos e iniciativas desenvolvidos no sentido de valorizar e promover o turismo religioso na região. O autarca explica ainda as potencialidades gastronómicas, naturais e patrimoniais deste concelho do distrito de Santarém.

Sendo Ourém internacionalmente reconhecido por Fátima e pelo santuário, de que forma é que o município tem valorizado este atrativo?
O concelho de Ourém tem no turismo um dos seus principais trunfos e potencialidades. Desde logo, temos uma marca mundialmente revelante que é Fátima. Fátima incorpora um conjunto de características especiais, nomeadamente pela sua mensagem espiritual e pela propagação desta mensagem, que chega a milhões de pessoas no mundo, que se sentem tocadas por Nossa Senhora. Este é um aspeto muito importante que, sem dúvida, tem consequências turísticas a vários níveis, uma vez que alguém que visita Fátima precisa de dormir, de comer, de visitar o comércio tradicional. Tudo isto é turismo. Este ano comemora-se o centenário das Aparições, que já teve um ponto altíssimo, que foi a presença de Sua Santidade, o Papa Francisco. Este foi um momento muito relevante, nomeadamente pelo facto de o Papa ter vindo exclusivamente a Fátima, por ter decorrido a canonização dos dois pastorinhos Francisco e Jacinta, mas, acima de tudo, por termos recebido aqui um verdadeiro “depositário da esperança” como o Papa Francisco. No início de maio promovemos um protocolo com a Secretaria de Estado do Turismo e com a Associação Caminhos de Fátima que tem como objetivo construir os Caminhos de Fátima. Acreditamos que construir esta rede, semelhante aos Caminhos de Santiago, dará maior segurança e melhores serviços informativos aos peregrinos, mas também a todos aqueles que fazem estes percursos. Outra das iniciativas em que temos apostado é na colocação de arte urbana nestes espaços, de que é exemplo o monumento “Coração do Francisco”, de Fernando Crespo. Estas são formas de introduzir inovação e modernização.

Após a celebração do primeiro centenário, quais as próximas metas/projetos?
Estamos sempre a pensar no futuro. O centenário não é uma festa que se faz no final de uma jornada. Temos de olhar para a realidade presente não como o fim do primeiro centenário, mas como o início do segundo centenário.
Todos os projetos e estratégias são desenvolvidos no sentido de que o segundo centenário seja também em crescendo, do ponto de vista do número de visitantes, da movimentação económica e da dignificação da mensagem de Fátima pelo mundo. Queremos preservar esta que é a nossa joia da coroa, mas também pretendemos modernizá-la e inovar, sempre mantendo as suas características tradicionais.

Que cooperação internacional tem existido no âmbito do turismo religioso?
A cooperação internacional é um aspeto muito importante. Neste sentido, integramos atualmente uma rede informal europeia, criada há uns anos, que tem como membros os santuários europeus de Fátima, Lourdes (França), Czestochowa (Polónia), Loreto (Itália), Altotting (Alemanha) e Mariazell (Áustria). Esta rede tem vindo a cooperar de uma forma superficial e tenho lutado no sentido de incrementar mais a cooperação existente. Por isso, realizamos anualmente um workshop de operadores de turismo, que já vai na quinta edição. Neste evento recebemos operadores turísticos de todo o mundo e mostramos as potencialidades de Ourém e de Fátima. Em novembro do ano passado organizámos o Congresso Internacional das Cidades Santuário, no âmbito do qual recebemos os parceiros europeus, mas também outros destinos, de que são exemplo Aparecida (Brasil), Guadalupe (México) e Belém (Palestina). Neste congresso foi proposta a criação de uma rede mundial de destinos religiosos que permita promover a coesão formal entre os vários destinos. Neste momento estamos a estruturar uma parceria com a Universidade de Aveiro, que nos dará suporte técnico, e iremos criar uma associação. Pretende-se que, em cada um dos destinos, seja possível promover os outros numa lógica de trabalho em rede, uma vez que este tipo de promoção facilita a divulgação internacional e a rotação de pessoas. Obviamente que cada um dos destinos ganhará mais desta forma do que através da promoção isolada. Um exemplo da cooperação internacional que já temos é a parceria existente com o estado de Minas Gerais, no Brasil, no âmbito da qual estamos a criar um passaporte que agrega locais de culto existentes em Ourém e em Minas Gerais. Acreditamos que, quando a rede mundial estiver em pleno funcionamento, o potencial de crescimento é enorme. No âmbito da cooperação internacional é ainda importante referir que vamos organizar nos dias 22 e 23 de novembro o Congresso Internacional de Turismo Religioso e Peregrinação, com a chancela da Organização Mundial de Turismo.

De que forma é que o município tem apostado em recursos locais como a natureza, o património e a gastronomia?
Paralelamente a Fátima e ao santuário, o concelho de Ourém tem um conjunto de outras marcas de relevo. Começo por destacar o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra d’Aire, que é o maior trilho de pegadas de dinossáurios do mundo. Este é um tipo de atração de natureza cultural e ambiental que deve ser gerido e difundido devidamente. Temos ainda a Vila Medieval de Ourém, que há 200 anos era a sede do concelho. Esta é uma vila histórica de beleza única, com uma grande importância para a região e onde temos promovido um conjunto de investimentos de melhoramento, no sentido de tornar a vila numa forte atração turística. Brevemente, o castelo, o torreão e o Paço do Conde serão submetidos a um conjunto de intervenções e temos também potenciado a valorização da vila medieval através do aumento da oferta hoteleira e de restauração, mas também através de eventos, nomeadamente a Via Sacra, que decorre na Sexta-Feira Santa, e o Festival de Setembro, que é um festival de cultura e artes com uma temática associada, que este ano será a Ásia. Em Ourém temos ainda uma excelente oferta de caráter natural na nascente do rio Nabão, naquela que é uma das melhores praias fluviais do país, a Praia Fluvial do Agroal. Temos desenvolvido um fortíssimo investimento de valorização deste local de convívio com a natureza, que ronda já os dois milhões de euros. Por fim, há que realçar a gastronomia, uma vez que temos um conjunto
de pratos típicos e complementos tradicionais do mundo rural, como o pão, o azeite, as compotas e, principalmente, o vinho. Neste aspeto, destaco o Vinho Medieval de Ourém, que está protegido por uma portaria e tem origem
na fundação de Portugal. Toda esta amálgama de oferta dá ao concelho de Ourém um conjunto de características de atratividade que me fazem afirmar que o turismo é uma das principais referências deste concelho. Por isso, queremos promover o turismo de uma forma transversal, permitindo que as pessoas possam visitar Fátima, possam ver património histórico, comer boa gastronomia e fazer uma visita natural. A nossa estratégia está assente nesta ideia e posso dizer que temos tido resultados muitos positivos, que me deixam bastante satisfeito.

Leia a restante reportagem sobre a região Centro através do download da 17ª edição em www.micas.pt

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