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Região Centro: Olhar para o futuro nas Aldeias Históricas de Portugal

Região Centro: Olhar para o futuro nas Aldeias Históricas de Portugal

Conservam histórias de conquistas e lendas, mantêm tradições ancestrais, encantam pela paisagem e as suas gentes convidam a visitar. A Rede das Aldeias Históricas, composta por 12 aldeias da região Centro, tem-se afirmado como um meio de desenvolvimento e valorização local centrado nos valores da história, cultura, património, inovação e sustentabilidade.

Sob a égide do granito e do xisto, assentes no alto das serras, as 12 aldeias históricas posicionam-se estrategicamente ao longo da fronteira espanhola. Em tempos remotos, reis e senhores sabiam que assim tinham os seus territórios defendidos. Ao longo dos séculos foram construídas muralhas, castelos, capelas e igrejas e as povoações criaram uma identidade única marcada por tradições e rotinas. Século após século, as aldeias preservaram a sua história, o património e a paisagem natural, sendo hoje em dia um polo de atratividade turística do interior Centro.

A Rede das Aldeias Históricas surgiu há mais de 20 anos como uma forma de aliar 12 aldeias – Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso – em torno de um objetivo comum: combater os efeitos da passagem do tempo e da desertificação, afirmando-se como a “primeira experiência de desenvolvimento regional endógena que aconteceu em Portugal”, garante Dalila Dias, coordenadora do projeto. A estratégia em rede, centrada nos valores da história, cultura e património, começou por se fixar num conjunto de obras públicas que garantissem a melhoria da vertente material deste território, disperso por 10 municípios.

“Este projeto surgiu como uma lufada de ar fresco para a região e contribuiu para minorar o êxodo rural e o abandono destas aldeias”, afirma Dalila Dias.

No âmbito do PROVERE que decorreu entre 2007-2013, o foco da Rede das Aldeias Históricas esteve na dimensão imaterial, com vista a aumentar a notoriedade da marca no mercado nacional e a cooperação em rede. Na atualidade, o PROVERE recentemente aprovado no âmbito do Centro 2020 surge como um complemento ao programa de valorização económica anterior, com uma tónica na “comunicação, animação e inovação”, explica a coordenadora. Até 2020, a Rede das Aldeias Históricas propõe-se a inovar em torno de, essencialmente, três dimensões: turismo, fileira agroalimentar e indústrias culturais e criativas.

No contexto do turismo, o objetivo passa por consolidar o destino numa perspetiva de sustentabilidade sendo que, para o efeito, o processo se iniciou com a assinatura, há cerca de três meses, da Carta de Compromisso para o Turismo Sustentável. Neste momento, está a decorrer um “procedimento de recolha de contributos de vários agentes para que seja proposto um Plano de Ação para a Sustentabilidade que reflita as reais necessidades, capacidades e expectativas do território, das suas pessoas e das instituições, que permitirá às Aldeias Históricas de Portugal, no espaço temporal de 12 meses, serem certificadas enquanto um Destino Turístico Sustentável BIOSPHERE”, esclarece Patrícia Araújo, da direção de marketing da Biosphere Responsible Tourism Portugal. Esta certificação possibilitará aos turistas que visitam as Aldeias Históricas terem uma experiência sustentável mais consistente e reforçada, com toda a cadeia de valor turística envolvida nos mesmos objetivos.

É também no âmbito do turismo e da comunicação que foi criado um ciclo de eventos em rede intitulado “12 em rede – Aldeias em festa”. A partir de uma expressão imaterial e simbólica de cada aldeia, seja uma personagem, um facto histórico, uma lenda, uma tradição ou um saber, foi construído um programa de, no mínimo, dois dias de iniciativas através das quais se pretende gerar experiências capazes de atrair novos públicos. “Pretendemos que este ciclo de eventos seja capaz de seduzir os potenciais visitantes e os faça deslocar das suas localidades para o nosso território”, afirma Dalila Dias.

Manter a tradicionalidade destas 12 aldeias, mas introduzir inovação é um dos motes desta rede, que aposta na inovação da fileira agroalimentar. A valorização dos recursos endógenos através da diferenciação é uma das ideias principais, apostando na criação de novos e renovados produtos. Neste contexto, ao longo do último ano, Trancoso tem promovido juntamente com o chef António Mauritti o Atelier da Castanha, através do qual se pretende “potenciar o consumo, transformação e promoção desta matéria-prima de uma forma abrangente, desde a apanha à comercialização, passando pela transformação”. No atelier já foram criadas soluções inovadoras para este fruto, desde a sua utilização em pratos, doces e massas moldáveis até ao desenvolvimento de bebidas, como por exemplo um substituto de café ou cevada feito à base da torra da castanha. No contexto das indústrias culturais e criativas – cinema, literatura, fotografia, documentários, televisão – está previsto o investimento de cerca de 100 mil euros no projeto Explorer 3.0, a partir do qual se pretende afirmar o território e, por essa via, atrair novos investidores.

Até ao final de 2017, além da realização do ciclo de eventos e da concretização da certificação como Destino Turístico Sustentável, a Rede das Aldeias Históricas espera conseguir a “sinalização dos diferentes eixos rodoviários – autoestradas, estradas nacionais e regionais – com o pictograma Aldeias Históricas de Portugal, aproveitando a oportunidade de ser um dos pictogramas previstos no Decreto Regulamentar de Normalização da Sinalização Rodoviária”, revela a coordenadora da Rede. Ao mesmo tempo, a aposta será na certificação a nível europeu da GR 22 – Grande Rota Aldeias Históricas, um percurso com um traçado circular de 565 quilómetros e uma variante de 40 quilómetros que permite dividi-la em dois. A certificação Leading Quality Trails – Best of Europe será um estímulo para a captação de praticantes de turismo de natureza, que podem complementar a atividade com o património cultural das 12 aldeias históricas de Portugal.

Leia a restante reportagem sobre a região Centro através do download da 17ª edição em www.micas.pt

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