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I Like This | “Portugal e a Índia estão a redescobrir-se, apesar de ainda existir potencial”
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“Portugal e a Índia estão a redescobrir-se, apesar de ainda existir potencial”

“Portugal e a Índia estão a redescobrir-se, apesar de ainda existir potencial”

Regressemos a 1498, quando o explorador Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia e iniciou uma relação entre dois países que já passou séculos e permanece viva ainda hoje. Os mais de 8000 quilómetros que separam Portugal e a Índia são superados por um forte elo cultural que ajudou a impulsionar as relações económicas e políticas, explica Nandini Singla, Embaixadora da Índia em Portugal desde 2016.

Portugal e a Índia têm uma relação de mais de 500 anos. Como define o estado atual dessa relação?
Acredito que as relações entre Índia e Portugal estão no seu auge de várias formas. São excelentes, porque depois de muitos anos tivemos duas visitas dos nossos primeiros-ministros no período de seis meses, no ano passado. Após quase 10 anos da visita do presidente Cavaco Silva, o primeiro-ministro António Costa visitou a Índia. O primeiro-ministro Costa foi em janeiro do ano passado e, passados seis meses, o nosso primeiro-ministro, Narendra Modi, visitou Portugal. Foi a primeira visita bilateral de um primeiro-ministro indiano a Portugal. Antes disso, o primeiro-ministro Atal Bihari Vajpayee visitou Portugal em 2000, mas foi no contexto da Cimeira UE-Índia. O facto é que, por causa dessas duas visitas em seis meses, assinamos quase 20 acordos. O interessante é que esses acordos foram em vários setores, como espaço, defesa, start-ups, ciência e tecnologia, tecnologias da informação, comércio, investimento, energias renováveis, agricultura, pesquisa marinha, intercâmbio de jovens e educação superior. Então, muitas coisas novas estão agora a acontecer que não aconteceram durante muitos anos.

Qual a importância do aspeto histórico nessa relação?
Índia e Portugal compartilham uma longa história. É uma das relações mais antigas da Índia, com mais de 500 anos. Todos os livros escolares indianos têm uma referência a Portugal porque todos mencionam que no ano de 1498 o explorador português Vasco da Gama descobriu a Índia. Assim, a Índia ficou ligada à Europa por mar graças a Portugal. Temos uma longa história de laços familiares, linguísticos, gastronómicos, musicais e culturais. Temos também laços humanos importantes, porque são quase 70 mil pessoas de origem indiana que vivem em Portugal. Com exceção de alguns anos, quando o regime de Salazar se recusou a renunciar às colónias na Índia (1955-1961) e as relações ficaram congeladas, não tivemos problemas diplomáticos e as relações têm sido fortes, cordiais e amistosas entre os dois países. É importante referir isto porque acredito que com base nessa relação de 500 anos devemos construir uma parceria moderna baseada no que as pessoas precisam e querem, ancorada no comércio, ciência e tecnologia, pesquisa e inovação e start-ups.

Houve também um esforço para cooperar ao nível da eficiência energética. Quais as vantagens desta cooperação para os dois países?
No setor de energia existem muitas complementaridades e coisas que podemos aprender uns com os outros. O setor eólico é um exemplo. O subsetor da eficiência energética é outra área em que desenvolvemos competências nas últimas décadas. Isto é muito relevante para o setor da habitação e construção em Portugal. Eu nunca senti tanto frio numa casa como na que eu tinha aqui! Devido à nossa tradição na Dinamarca de investir em paredes, janelas e telhados de qualidade, as nossas casas têm uma temperatura estável durante todo o ano e são adequadas para todos os tipos de clima. Acreditamos que Portugal podia usar a nossa experiência neste campo e ser mais ambicioso, incentivando pessoas e empresas a poupar – porque a energia mais barata é aquela que não se usa. Este é um campo com muito potencial e a Embaixada realizou atividades conjuntas com o Estado, empresas e autoridades locais para trocar experiências sobre como as ações coletivas podem melhorar a eficiência energética.

É Embaixadora da Índia em Portugal há dois anos. Qual a sua opinião sobre o país e os portugueses?
Eu adoro Portugal! Tive a oportunidade de viajar por todo o país e cada lugar é diferente de uma maneira única. Vocês são verdadeiramente abençoados porque têm um país lindo. Mas, mais importante, acho que as pessoas são lindas. Eu venho de um país que é muito amigável e acolhedor, os locais recebem os turistas e estrangeiros nas suas casas. Acho que Portugal é muito semelhante à Índia neste aspeto. As pessoas são genuinamente amigáveis e acolhedoras, não existe racismo, os portugueses apreciam a diversidade. Há muito interesse na cultura indiana, yoga e meditação. Sinto-me muito humilde quando encontro pessoas portuguesas que estão abertas ao mundo, para aprender línguas e se conectarem com o mundo exterior. Eu adoro Portugal e estou muito feliz por estar aqui.

Das visitas que fez em Portugal, quais são as que mais se destacam?
Lembro-me de todos os locais que visitei porque Portugal é bonito e diferente. No sul, o Algarve é lindo, o centro é uma experiência completamente diferente. Adorei visitar Castelo de Vide e Marvão. O lugar que mais apreciei foram os Açores, porque é um pequeno pedaço de paraíso na Terra. É completamente pacífico, calmo, é o tipo de lugar em que adoraria viver!

Quais são os desafios futuros para esta relação?
Eu não vejo desafios. A nível político temos relações fantásticas (estimuladas pelas visitas de António Costa à Índia e do nosso primeiro-ministro a Portugal) e estabelecemos muitos acordos, como mencionei. Reconhecemos o passado e estamos ansiosos pelo futuro – e aí não há qualquer desafio. O único desafio é não fazer o suficiente para aproveitar a relação atual e não aproveitar na íntegra o potencial existente.

Leia a entrevista na íntegra fazendo o download da 22ª edição da I Like This em www.micas.pt

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