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I Like This | “O Vhils é parte do Alexandre, enquanto o Alexandre tem mais partes além do Vhils”
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“O Vhils é parte do Alexandre, enquanto o Alexandre tem mais partes além do Vhils”

“O Vhils é parte do Alexandre, enquanto o Alexandre tem mais partes além do Vhils”

No Cartão de Cidadão tem o nome Alexandre Farto, mas as obras são assinadas como Vhils, o nome que surgiu no tempo em que o artista pintava graffiti ilegal. Atualmente, Alexandre é o artista de arte urbana português mais reconhecido no mundo. Os seus trabalhos refletem uma preocupação com as causas sociais e Alexandre acredita que é por meio da arte que consegue chamar a atenção para várias questões.

Como é que os graffitis e a arte entraram na sua vida?
O meu interesse pelo graffiti despertou por volta de 1997, quando comecei a vê-lo surgir em força nas paredes ao longo do caminho que eu fazia para a escola. Comecei por copiar e desenhar coisas parecidas sem pensar muito no que estava a fazer. Quando tinha 13 anos comecei a pintar graffiti na rua a sério e foi através dessa prática de pintura ilegal que despertei para o mundo das artes visuais em todos os sentidos. Costumo dizer que é esse o meu background artístico, uma vez que foi a partir do graffiti que comecei a explorar o mundo da expressão visual. Estive vários anos concentrado apenas nesta prática de pintura ilegal que funciona muito num círculo fechado e depois comecei a alargar os meus interesses e a explorar outras ferramentas, técnicas e materiais. Aos poucos fui investindo mais em intervenções que me permitiam comunicar com um público mais alargado no espaço público e tudo se foi desenvolvendo de forma natural. Foi o meu interesse pelo graffiti que me levou a estudar artes. Para todos os efeitos ainda o considero como a minha escola de formação artística, mais do que qualquer instituição formal por onde tenha passado. O graffiti permitiu-me explorar muitas vias experimentais de forma absolutamente livre e ainda hoje muitas das técnicas e ferramentas que uso vieram dessa escola de rua. Muitos dos conceitos que emprego nas minhas
peças também se encontram ligados ao graffiti e à prática de intervenção ilegal no meio urbano.

Qual a origem do nome Vhils?
Criei o nome Vhils no tempo em que pintava graffiti ilegal. Segue a mesma lógica de um pseudónimo, mas neste caso foi escolhido para ser escrito, difundido e desenvolvido esteticamente segundo a lógica do graffiti. Não tem significado nenhum, deve-se simplesmente à sequência de letras que eu gostava e que me permitia escrevê-lo e pintá-lo de forma rápida e segura. Quando comecei a apresentar trabalho em exposições já era conhecido como Vhils e decidi manter o seu uso junto com o meu nome verdadeiro.

O Alexandre e o Vhils são a mesma pessoa? Identifica-se da mesma forma com os dois nomes?
Em certa medida são a mesma pessoa, mas o Vhils talvez seja apenas parte do Alexandre, enquanto o Alexandre tem mais partes além do Vhils.

Qual a sua maior inspiração?
Literalmente, tudo. Acho que enquanto pessoas refletimos tudo o que nos rodeia e tudo aquilo por que já passámos, todos estes elementos contribuem para moldar as pessoas que somos e isso reflete-se naturalmente no que fazemos. Gosto de absorver tudo o que a vida tem para oferecer. Interesso-me por História e cidades, paisagens e viagens. Gosto de contactar com outras culturas, gosto de música e filmes e muito mais. Gosto de me sentir estrangeiro numa cidade enquanto observo o que se passa à minha volta, sem pressa; gosto de absorver e aprender. Gosto do caos do meio urbano e dos diferentes contrastes que a cidade oferece.

Qual o trabalho mais arriscado que já fez?
Têm sido muitos. Os projetos que tenho desenvolvido com explosivos são sempre arriscados e muito exigentes.

A arte continua ser encarada como uma paixão ou é apenas uma profissão?
Uma paixão sempre, apesar de ser trabalho.

Sente que o seu trabalho é valorizado?
Sim, e muito, sobretudo por parte do público que tem manifestado muito interesse e dado um enorme apoio ao que tenho feito. Espero é que, para além do trabalho em si, as questões que ele levanta sejam alvo da mesma atenção.

Quais as características que considera ter que contribuem para o seu sucesso?
Perseverança, dedicação, muito trabalho e uma excelente equipa que me ajuda a concretizar as minhas ideias, o que nem sempre é fácil. Também é importante manter um certo regime de normalidade para continuar a trabalhar de forma tranquila, longe dessa ideia de sucesso.

Como é um dia normal na sua vida?
Não sigo propriamente uma rotina, tudo depende muito dos projetos que tenho em mão, mas de forma geral é ocupado com trabalho, esteja no estúdio ou em viagem.

Como é que se define?
Não me definindo. Prefiro que o foco esteja sobre a obra e as questões que ele levanta.

 

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