Custom Menu

Latest From Our Blog

I Like This | Mil anos depois Famalicão reviveu a invasão viking
21598
post-template-default,single,single-post,postid-21598,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,wpb-js-composer js-comp-ver-4.12.1,vc_responsive

Mil anos depois Famalicão reviveu a invasão viking

Mil anos depois Famalicão reviveu a invasão viking

A música remetia para tempos antigos, os trajes lembravam as roupas de outra época. Da comida aos utensílios, das roupas aos mercadores, tudo aqui fazia voltar atrás no tempo, até à época em que os povos oriundos do norte da Europa, a que habitualmente chamamos de vikings, passaram por esta região. Jogos tradicionais, aldeias viking, lutas de varapaus, animais exóticos, demonstração de artefactos de morte e tortura, rituais viking, danças orientais e falcoaria. Durante quatro dias a cidade de Vila Nova de Famalicão fez uma viagem no tempo e recebeu a Feira Medieval e Viking, um evento organizado pela escola profissional CIOR em parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, mas que envolveu toda a comunidade e atraiu milhares de visitantes à Praça D. Maria II. Entre os dias 05 e 08 de julho foram cerca de 500 os figurantes que recriaram o ambiente medieval viking com músicos, atores, malabaristas, acrobatas, bailarinas, mercadores e tantas outras figuras alusivas à época.

A Feira Medieval Viking de Vila Nova de Famalicão é já um momento marcante na agenda cultural da cidade, inserindo-se na “lógica da animação cultural do concelho” e pretendendo “dinamizar a cidade para atrair cidadãos famalicenses de várias freguesias ao centro da cidade, mas também atraindo pessoas de outros concelhos que, desta forma, podem ficar a conhecer Famalicão”, explica Leonel Rocha, vereador da Cultura da Câmara Municipal.

O evento, que incorpora a Prova de Aptidão Profissional (PAP) dos alunos do Curso Sociocultural da Escola Profissional CIOR, implica um ano letivo de trabalho que exige “muito empenho por parte dos alunos”, mas também de muitos “ex-alunos que mantêm a sua colaboração”, conta Luís Bessa, diretor do curso. O docente revela ainda que “esta é a única feira com esta tipologia no país, uma vez que não há mais nenhuma feira viking a ser realizada em Portugal”. A unicidade da feira medieval deste concelho minhoto implica a aquisição de “artefactos viking, uma vez que não são de fácil acesso; alguns são feitos exclusivamente para esta feira e outros são adquiridos fora de Portugal”, indica Luís Bessa.

Mas porquê associar os vikings a Famalicão? Se, aparentemente, esta temática pode causar estranheza, a justificação prende-se com um facto histórico aqui decorrido e que por vezes passa despercebido à generalidade das pessoas. De acordo com os registos arqueológicos do município, a primeira alusão ao Castelo de Vermoim é uma breve referência dos “Annales Portucalenses Veteres”, que relata uma incursão e ataque de normandos a 06 de setembro de 1016, ainda que haja quem aponte a hipótese de este ataque ter ocorrido entre os anos de 1015 ou 1017. Segundo estas referências bibliográficas milenares, foi no Castelo de Vermoim que o então conde titular do Condado Portucalense, D. Alvito Nunes, organizou a defesa do território contra a incursão viking que provinha do litoral e que teria como alvos principais o assalto e pilhagem dos dois maiores centros urbanos da região: Guimarães e Braga. Em Vermoim, no território que atualmente é Vila Nova de Famalicão, os vikings encontraram oposição. Do Castelo de Vermoim resta apenas o “sítio do Castelo”, uma vez que a sua destruição foi praticamente total e restam apenas vestígios entalhados no rochedo.

Este momento do ataque ao Castelo de Vermoim foi o grande foco de um dos momentos mais marcantes do evento, o “Assalto ao Castelo”. Numa mistura de teatro, espetáculo e recriação histórica, um elenco de cerca de 50 pessoas protagonizou o ataque viking aos cristãos no castelo de madeira de Vermoim. Por entre espadas, escudos, cavalos, lutas e diálogos, o público presente nas bancadas da arena simulada exultou com a prestação dos atores.

Numa feira que decorreu continuamente ao longo de quatro dias era possível assistir a várias atividades em simultâneo, que transportavam os visitantes para aquele período. A aldeia, a moradia e o barco viking [n.r. drakkar], a falcoaria e os artefactos de morte e tortura eram os elementos que atraiam a grande atenção dos visitantes, enquanto se deliciavam com as iguarias gastronómicas existentes no local.

“Este é um evento a que venho todos os anos porque permite conhecer um pouco mais da história do nosso concelho, mas também apreciar o excelente trabalho desenvolvido por todos quantos participam na organização da feira. Em termos de rigor histórico é um evento extremamente bem organizado e sem dúvida que de ano para ano está cada vez melhor”, conta-nos Maria José Lopes, uma das visitantes.

De facto, Luís Bessa, realça que “cada vez mais pessoas visitam a Feira” e a organização sente que este é um “evento reconhecido a nível nacional” que acaba por potenciar o nome da CIOR, a principal entidade organizadora. O município, que apoia a organização no que à logística diz respeito, tem aproveitado o sucesso da Feira Medieval Viking para criar uma “marca identitária do concelho, dando a conhecer factos históricos relevantes que decorreram em Famalicão”.

Anteriormente este era um evento que decorria apenas de dois em dois anos, mas a organização já prometeu que a Feira Medieval Viking de Vila Nova de Famalicão passará a acontecer todos os anos, numa oportunidade única para contactar de perto com a cultura dos povos oriundos do norte da Europa e conhecer a sua relação com o concelho.

Sem comentários

Sorry, the comment form is closed at this time.