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Cresce o número de pessoas que quer descobrir o legado judaico em Portugal

Cresce o número de pessoas que quer descobrir o legado judaico em Portugal

Durante séculos as suas imponentes muralhas defenderam as fronteiras portuguesas dos ataques inimigos e Apesar de uma pequena comunidade judaica a residir em Portugal, o nosso país tem assistido a um aumento nos turistas que pretendem descobrir o rico e diversificado legado judaico existente de norte a sul. Com dezenas de sítios identificados com herança judaica, a maior parte localizados no interior, o turismo judaico tem sido uma das estratégias de promoção de Portugal no exterior.

O fenómeno tem vindo a crescer ao longo dos anos e certamente que quem visita lugares como Castelo de Vide, Belmonte ou Trancoso irá cruzar-se com turistas judeus que escolhem Portugal para conhecer um importante património histórico e arquitetónico. No último ano o número de visitantes aumentou consideravelmente e as condições são também outras: novas linhas aéreas entre Portugal e Israel, novas agências especializadas, novos hotéis, lojas kosher e uma oferta turística que se complementa com o património existente. Os dados do Instituto Nacional de Estatística são claros: no início desta década contavam-se em média 5000 hóspedes israelitas por ano nos hotéis nacionais, em 2017 o número disparou para os 105 mil. E aqui estão apenas incluídos os visitantes israelitas, não sendo contabilizados os turistas que optam por visitar os locais com património judaico de referência.

Recentemente o turismo judaico foi identificado pela Secretaria de Estado do Turismo como um pilar muito importante, tendo já sido realizado um tour promocional nos EUA com a missão de explicar às comunidades judaicas porque devem descobrir a rede de judiarias em Portugal e a riqueza histórica que a diáspora espalhou pelo mundo. Depois desta ação em território americano, o governo planeia estender a promoção ao Canadá e ao Brasil, onde existem comunidades relevantes.

Em Portugal a comunidade judaica é pequena, calculando-se que ronde os 1500 em todo o país, entre 500 a 1000 em Lisboa, 200 a 300 no Porto e algumas dezenas em Belmonte, onde fica situada a terceira sinagoga do país. No entanto, o património existente é rico e diverso. Há vestígios da presença judaica muito antes da existência do reino de Portugal, mas foi essencialmente entre os séculos V e XV que os judeus se começaram a resguardar em aldeias históricas, vilas e cidades portuguesas, como é o caso de Belmonte, Castelo Rodrigo, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Guarda, Trancoso e Tomar. Nestes territórios deixaram marcas religiosas nas sinagogas, arquitetónicas e urbanísticas nas casas e ruas e culturais nas práticas diárias, agrícolas ou comerciais.

É possível conhecer de perto esta riqueza deixada ao longo de séculos visitando as rotas turísticas existentes que ligam os vários concelhos. Em Belmonte, uma das maiores referências no que toca ao património judaico, encontramos a Sinagoga “Beit Eliahu” e o Museu Judaico, que convidam a descobrir os usos e costumes da comunidade local, assim como marcas presentes nas paredes e ombreiras das casas. O Museu Judaico de Belmonte é uma referência neste tipo de turismo em Portugal, recebendo cerca de 25 mil visitantes por ano. Em Tomar, por exemplo, descobrimos uma antiga Sinagoga do século XV, recuperada e doada ao Estado Português para ali se instalar o Museu Luso- -Hebraico de Abraão Zacuto. Já em Trancoso encontramos o Centro de Cultura Judaica, que em 2017 recebeu 13 mil visitantes.

Mas o que justifica esta procura? Se, por um lado, a Rede de Judiarias de Portugal tem ajudado a potenciar o turismo judaico, a verdade é que a lei que garante dupla nacionalidade a quem provar ter como ascendentes judeus sefarditas (expulsos de Portugal no século XV) também contribui para o aumento dos turistas judeus em Portugal. A Associação Rede de Judiarias de Portugal – Rotas Sefarad conta atualmente com 45 associados: duas comunidades judaicas (Comunidade Israelita de Lisboa e Conundiade Judaica de Belmonte), quatro Entidades Regionais de Turismo (Alentejo, Algarve, Centro de Portugal e Região de Lisboa) e 39 municípios. Fundada em 2011 esta rede vai desde o cemitério judaico de Faro ao museu-sinagoga de Castelo de Vide, passado por Lamego, Guarda, Fornos de Algodres, Elvas, Freixo de Espada à Cinta e dezenas de outros locais que podem ser visitados por quem procura descobrir mais sobre o legado judaico.

Para complementar a oferta têm surgido unidades hoteleiras e lojas kosher em conformidade com a cultura judaica. Os alimentos kasher ou kosher são preparados de acordo com o Kashrut, ou seja, as leias judaicas de alimentação. Os produtos kosher são facilmente reconhecidos pelos seus selos próprios. Um pouco por todo o país já é possível encontrar estes produtos e até unidades hoteleiras que têm uma preocupação com este tipo de alimentação, como é o caso do Hotel Turismo de Trancoso, de quatro estrelas, que instalou uma cozinha vocacionada exclusivamente para a alimentação kosher. No que à hotelaria diz respeito é importante destacar o Belmonte Sinai Hotel, a primeira unidade hoteleira do país criada propositadamente com foco no turismo judaico. Com portas abertas desde abril de 2016, este hotel de quatro estrelas tem 27 quartos e, além da comida, dedica uma especial atenção ao sabbath, que começa no pôr do sol de sexta- feira e termina no sábado à noite. Este é um dia sagrado de descanso para os judeus em que não se pode, por exemplo, tocar em dinheiro ou tecnologia. Por isso, neste hotel são desligadas as televisões, são entregues chaves manuais em vez das eletrónicas e até os elevadores deixam de ser usados.

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